“Uma vez você me disse que deixar de pensar era possível e jogadores de basquete sabiam muito bem disso. você também sabia que eu descordaria pro resto da vida mesmo que quisesse com todas as minhas forças estar errada. nós carregamos os sete infernos na mente e toda nossa má sorte se inclui nisso. aquele tempo eu só sabia correr pro teu lado e te pedir qualquer trégua, e se você soubesse ler meus olhos veria que não me resta nenhuma sanidade. mas já faz tanto tempo e eu ainda não tenho nada, nem ninguém. você se lembra da última vez que salvou ou foi salvo? olha, baby, eu não sei valer a pena nos mesmos lugares que vocês valem, eu não sei rir da maneira que vocês riem, não sei acreditar nas coisas que vocês acreditam e ter a esperança que vocês têm. e ainda que você me falasse sobre a dor de Van Gogh ou o desespero de Hitler, tudo soaria superficial, mesmo que você me falasse sobre a paulista de nada valeria se você não esteve lá de olhos fechados e braços abertos numa madrugada de domingo. eu não aceito tuas teorias de solidão se você próprio não aceita a condição de sermos todos sós. mas eu queria acreditar nesses 80% de fauna marinha que ainda não conhecemos, nesses outros planetas que nunca vimos, nessas bilhões de pessoas que não olhamos nos olhos e sentimos a carne. perceber todos os dias que você está no lugar errado e não saber para onde seguir ou não poder seguir. talvez nem seja a época certa. eu não queria ser outra pessoa, mas queria ser diferente ou melhor. pensar demais é suicídio, disso você não sabe. mas nunca adianta saber tudo e não sentir nada.”